As urnas deste domingo (4) produziram uma mudança significativa na composição da Câmara dos Deputados. O resultado das eleições de 2026 ampliou o espaço das forças políticas identificadas com a direita e colocou o PL em uma posição inédita: a legenda elegeu 121 deputados federais, formando a maior bancada da Câmara para a próxima legislatura.
O número representa um crescimento expressivo em relação a 2022, quando o partido elegeu 99 deputados. A nova bancada do PL será responsável por quase um quarto das 513 cadeiras da Casa. A Câmara confirma que o resultado foi calculado com 99,9% dos votos apurados.
O avanço do PL é o principal dado de uma eleição que redesenhou o mapa político da Câmara. O partido passa a ter uma distância de 39 cadeiras para a segunda maior força, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que elegeu 82 deputados.
COMO FICOU A CÂMARA
A composição projetada para a próxima legislatura, segundo os dados da Câmara e levantamentos com a apuração eleitoral, fica assim:
- PL — 121 cadeiras
- Federação PT/PCdoB/PV — 82
- União Brasil — 46
- PSD — 43
- Republicanos — 41
- MDB — 36
- Podemos — 27
- PSDB/Cidadania — 11
- PSOL/Rede — 15
- PSB — 15
- PDT — 6
- PP — 41
- Novo — 10
- Avante — 5
- Solidariedade/PRD — 7
- Missão — 1
Os números podem ser apresentados também por federações e blocos, já que a distribuição partidária da Câmara considera a organização das legendas para a próxima legislatura.
UMA CÂMARA MAIS À DIREITA
O resultado consolidou uma presença maior da direita no Legislativo federal. O PL, sozinho, alcançou 121 cadeiras, seu melhor resultado na série histórica recente. O Novo também cresceu, passando de três deputados eleitos em 2022 para dez agora.
Ao mesmo tempo, partidos tradicionais do centro perderam espaço. A composição da federação União Brasil/PP, por exemplo, recuou em relação ao resultado de 2022. PSDB/Cidadania, PDT, MDB e PSB também terminaram a eleição com bancadas menores que as formadas na eleição anterior.
O movimento foi chamado por parte da imprensa de uma nova “onda” ou “tsunami” da direita, em referência ao tamanho do crescimento do PL e de outras siglas desse campo político. O dado objetivo é que a direita ampliou sua presença na Câmara, enquanto o centro e parte da esquerda perderam espaço em diferentes proporções.
RENOVAÇÃO
Além da mudança partidária, a Câmara terá uma renovação significativa. Segundo a Agência Câmara, 38,7% dos deputados serão novos na Casa, enquanto o índice de reeleição ficou em 58,6%. Também chama atenção o retorno de 29 ex-deputados que haviam deixado o Congresso e conseguiram voltar pelas urnas.
A nova Câmara toma posse em 1º de fevereiro de 2027. Até lá, os partidos terão de definir seus blocos, lideranças e alianças para a próxima legislatura.
O resultado das urnas deixa, portanto, uma Câmara diferente daquela que encerra o atual mandato: o PL assume a liderança numérica com 121 cadeiras, a direita amplia sua presença e o equilíbrio entre os demais partidos passa a ser determinante para a formação das maiorias e para a condução das votações no Congresso.










