O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e do Conselho Regional do Senai-RN, Roberto Serquiz, destacou nesta segunda-feira (15) que “a construção civil vive uma revolução tecnológica”, o que exige uma transformação na maneira de projetar, construir e agir.
A análise foi apresentada durante discurso no evento Construção do Futuro: Manufatura Aditiva e Novas Tecnologias, promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (SINDUSCON-RN) e o SENAI na Casa da Indústria, sede da Federação.
Roberto Serquiz destacou que, nesse contexto, “o avanço não é apenas tecnológico”. “O futuro da construção civil será resultado de talento, conhecimento e inovação”, disse ele, ressaltando que “o Senai participa ativamente do ecossistema de prosperidade do Brasil e está pronto para oferecer também a qualificação necessária para que o setor da construção aumente a competitividade e avance no tema sustentabilidade, porque essa sustentabilidade é estratégica”.
A programação discutiu novos métodos construtivos para o setor em palestra do professor doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Rafael Pileggi, referência internacional em pesquisas sobre microestrutura de materiais cimentícios, reologia, construção industrializada e manufatura aditiva aplicada à construção civil — a chamada impressão 3D de edificações.
Na ocasião, também foi anunciado um acordo de cooperação técnica em fase final de formalização entre o Senai-RN, por meio do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), a USP e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O acordo tem como objetivo a realização de ações conjuntas em ciência, tecnologia e inovação nas áreas de energia, materiais e sustentabilidade envolvendo a construção civil.
Avanço
O presidente do Sinduscon-RN, Sérgio Azevedo, frisou, na abertura do evento, que a construção civil está entrando em uma nova fase, em que tecnologia, inovação, produtividade e sustentabilidade deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos para quem deseja continuar competindo.
“A gente entende que as empresas que não enxergarem que a inovação é uma questão de sobrevivência provavelmente não estarão no futuro, contribuindo, fazendo parte da sociedade”, disse ele, e complementou: “O nosso objetivo aqui não é só conhecer novas tecnologias. É entender como podemos transformar conhecimento em soluções práticas, capazes de melhorar processos, aumentar a produtividade, reduzir desperdícios, elevar a qualidade das obras e fortalecer as empresas”.
Também presente no evento, o presidente executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Fernando Guedes, reforçou que há necessidade de inovação permanente no setor, que a construção vive um novo momento e que quem não conhecer esse momento e não se adaptar a ele vai ficar para trás. “Há um movimento de mudança estrutural muito forte na atividade e também desafios para que possamos seguir com um movimento forte de inovação”, disse Guedes, citando, entre os desafios, o financiamento a projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação.
Rodrigo Mello, diretor do Senai-RN e do ISI-ER, explicou que o acordo de cooperação com a USP e a UFRN forma uma espécie de “grande laboratório” de novos métodos construtivos para dar respostas às empresas a partir de soluções tecnológicas e formação de pessoas que vão operar esses métodos. O diretor frisa que a instituição tem acompanhado as mudanças no mercado e investido para incorporar cada vez mais inovações na qualificação que oferece hoje.
“As novas tecnologias são consequentes da necessidade do aumento de produtividade na indústria da construção civil e da dificuldade de contratação de profissionais qualificados. Existem diversos novos métodos construtivos e eles exigem novos conhecimentos de quem atua ou quer atuar no setor”, diz o diretor.
Pileggi, que coordena grupos de pesquisa na USP que vêm desenvolvendo, em parceria com a indústria, novas formulações de concreto imprimível, processos automatizados de obra e soluções para a redução de emissões de carbono no setor da construção, destacou que o acordo de cooperação permite que as instituições envolvidas façam intercâmbios de conhecimentos e passem a trabalhar juntas como “aceleradoras de tecnologias inevitáveis”.
O evento também contou com a participação do pró-reitor de Pós-Graduação da UFRN, Rubens Maribondo do Nascimento, do diretor regional do SENAI Piauí, Roger Jacob, de representantes de outras instituições, de empresários, pesquisadores e estudantes.
