Referência nacional do SENAI em pesquisa aplicada, desenvolvimento e inovação para a indústria de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também em soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) completa cinco anos de operação nesta segunda-feira (15) projetando novos avanços em áreas consideradas estratégicas para o Brasil.
Entre os projetos em destaque no caminho estão a primeira planta-piloto de energia eólica offshore do país a obter licença prévia do Ibama, iniciativas voltadas ao hidrogênio renovável e pesquisas para o desenvolvimento de combustíveis avançados.
As perspectivas do Instituto se apoiam em uma trajetória marcada pelo pioneirismo. Desde sua criação, o ISI-ER tem liderado iniciativas que ampliam o conhecimento e a capacidade tecnológica nacional, com destaque para a geração de dados medidos sobre o ambiente offshore brasileiro – considerada fundamental para o desenvolvimento da indústria de geração de energia eólica no mar -, além do desenvolvimento de tecnologias inéditas no país, em trabalhos de cooperação com instituições brasileiras e estrangeiras.
Nesta entrevista, o diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello, faz um balanço dos primeiros cinco anos da instituição, destaca resultados alcançados até agora e apresenta perspectivas para uma nova fase de expansão da inovação industrial e das energias renováveis no país.
Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis integra a rede de 28 Institutos SENAI de Inovação e reúne pesquisadores de diferentes áreas, como engenharias, meteorologia, oceanografia, geografia, biologia, economia e tecnologia da informação. Atualmente, sua atuação abrange oito frentes estratégicas: energia eólica, energia solar, sustentabilidade, hidrogênio, combustíveis avançados, economia azul, meio ambiente e geointeligência.
Que balanço o senhor faz dos cinco anos do ISI-ER? Em que momento o Instituto está?
Eu acho que o ISI é um filho do SENAI que nasceu e teve a sua fase de desenvolvimento, a sua adolescência, de forma muito interessante. Hoje, continuando a comparação com uma pessoa, ele seria um adulto reconhecido pelo mercado, respeitado e que compõe, com protagonismo, a maior rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial da América Latina.
Isso é resultado de um time especial, que reúne muitos talentos, mas também da construção de um modelo de funcionamento muito próximo da indústria brasileira e do ambiente nacional e internacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação. O ISI-ER é uma instituição que, com apenas cinco anos de fundação, alcançou muito sucesso. Chegamos a um ponto em que, penso eu, nos tornamos bastante relevantes para o setor de energias renováveis.
Entre os destaques da nossa atuação, eu citaria a geração de dados medidos no ambiente offshore brasileiro, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre esse ambiente; o trabalho que desenvolvemos na vanguarda de setores como o de combustíveis avançados, buscando respostas para novos combustíveis e tecnologias alinhadas com o objetivo de uma economia de baixo carbono.
Além disso, trabalhamos no desenvolvimento de modelos de negócios voltados à união de tecnologias que englobam energias renováveis e novos combustíveis. Enfim, apenas cinco anos de existência formaram um adulto maduro, realizado, com um time muito comprometido, de alta qualidade e, especialmente, buscando a cada dia atender às demandas da empresa industrial.
Em termos de projetos, quais são os principais destaques da trajetória, em especial, do último ano?
Eu diria que a geração de dados sobre o ambiente offshore é um grande destaque, porque essa é a grande fronteira energética do Brasil. O mundo está de olho nisso, e nós temos capitaneado a geração e a análise de dados nesse campo, de forma pioneira no país.
Os projetos que envolvem plantas-piloto também são destaques. Um deles, a planta-piloto de SAF (sigla em inglês para Combustível Sustentável de Aviação), trouxe muita visibilidade para o centro. Temos também a planta-piloto de energia eólica offshore e a planta-piloto para geração de hidrogênio renovável que estamos desenvolvendo com a Petrobras.
A boia Bravo, que desenvolvemos também com a Petrobras e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, é outro desafio fabuloso, reconhecido internacionalmente. Esse é um projeto de longa duração e nós estamos agora na segunda fase. A primeira fase foi dedicada ao desenvolvimento da boia. A segunda fase envolve a produção de unidades-piloto que operam em condições reais para certificação conforme a IEC, norma internacional do setor. Hoje, seis boias estão em operação, do Piauí ao Rio Grande do Sul. Uma vez que saia a certificação, haverá uma terceira fase de produção e licenciamento desse produto.
São avanços que registramos no Brasil, em um contexto que envolve, também, um programa firme de internacionalização. Quem trabalha com pesquisa, desenvolvimento e inovação não trabalha só. O ISI-ER formou parcerias no ambiente acadêmico brasileiro e também no exterior, com instituições de países como Canadá, Alemanha, Espanha e China. Esse ‘intercâmbio’ virou rotina nas nossas discussões e atividades, sempre buscando soluções para melhorar o ambiente produtivo e a competitividade da indústria brasileira. E há muito mais por vir.
O que pode ser antecipado quanto aos próximos passos do Instituto?
Sem sombra de dúvidas, a grande notícia são as duas plantas-piloto em dois setores que interessam muito à humanidade atualmente e ao Brasil pelas características competitivas que possui. Uma delas, de hidrogênio, já está em construção e a partir do estudo que está sendo desenvolvido vai trabalhar diferentes modelos de negócio. A outra é a planta-piloto de energia eólica offshore, algo extremamente pioneiro no Brasil. Essa planta buscará não só responder aos desafios tecnológicos da atividade, mas também contribuir para a construção de uma cadeia de fornecedores, ampliando a participação de conteúdo nacional nos produtos dessa cadeia.
De que forma a planta-piloto offshore pode contribuir para o desenvolvimento dessa atividade no Brasil?
Uma planta-piloto tem vários objetivos diretos, mas o primeiro deles, o maior deles, certamente é fortalecer o ecossistema de tecnologia voltado ao setor envolvido. E esta, em especial, pretende responder perguntas hoje sem respostas, entre elas como realmente vai se confirmar esse fabuloso ambiente produtivo que existe de potencial no Brasil, os caminhos para a boa convivência com outras atividades econômicas e humanas que existem na região onde será instalada, além de adaptar a logística necessária, com base nas condições locais de produção. Então eu diria que uma planta-piloto, e essa não é diferente, tem a missão de, independente de estar dentro ou não de uma atividade em funcionamento, responder perguntas de forma que o ambiente de produção industrial e o desenvolvimento socioeconômico esperado com ele sejam fortalecidos.
