O setor imobiliário registrou avanços em Natal no início deste ano. As vendas de imóveis residenciais verticais (apartamentos) na capital potiguar cresceram 47% no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Nesse intervalo, 349 unidades foram vendidas na cidade, ante 237 no ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 54% (1.661 unidades, contra 1.081 em 2025).
A capital também registrou aumento de 61% no lançamento de apartamentos, passando de 253 para 408 no primeiro trimestre deste ano. Os dados são do Censo Imobiliário 1º TRI 2026, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica e encomendado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon-RN) e pelo Sebrae-RN.
Na região metropolitana (RM), no entanto, o movimento foi contrário: queda de 20% de vendas no trimestre (232 para 186) e queda de 27% no acumulado (1.453 para 1.063). A Grande Natal também registrou queda de 80% no lançamento de apartamentos no trimestre: 83 em 2026, contra 409. Para o Sinduscon-RN, apesar da queda na RM, o desempenho da capital foi suficiente para consolidar um cenário positivo para o setor.
Os imóveis seguem valorizando, com o preço médio do metro quadrado em Natal atingindo R$ 9.283 – valorização trimestral de 13%. Imóveis de um dormitório foram os mais valorizados (R$ 13.183/m²).
A maior parte dos lançamentos concentrou-se em Natal, responsável por 59,9% das novas unidades ofertadas no trimestre. O bairro de Neópolis liderou entre as localidades com maior participação nos lançamentos, seguido pelos bairros de Passagem de Areia e Pirangi, ambos em Parnamirim.
Na capital, os bairros com metros quadrados mais caros são Petrópolis (R$ 12.621), Areia Preta (R$ 10.489) e Tirol (R$ 10.148). Já Pajuçara (R$ 5.819), Cidade da Esperança (R$ 5.980) e Potengi (R$ 6.343) têm os menores preços.
Na visão do Sinduscon-RN, o setor ainda enfrenta desafios que podem influenciar o desempenho ao longo dos próximos meses, como o aumento dos custos, a disponibilidade de crédito, o comportamento das taxas de juros e a necessidade de investimentos em infraestrutura urbana.
Sérgio Azevedo, presidente do sindicato, diz que os resultados do 1º trimestre mostram a força do mercado imobiliário potiguar, mas exigem atenção. “O mercado iniciou 2026 com indicadores bastante positivos, refletindo a confiança dos investidores e dos consumidores. Nosso desafio é transformar esse crescimento em um ciclo sustentável”.
Ao final do primeiro trimestre de 2026, Natal contabilizava 1.295 unidades disponíveis para venda, número 7% inferior ao observado um ano antes. Na Região Metropolitana, a oferta foi de 264 unidades. A maior parte do estoque disponível está concentrada em empreendimentos econômicos e de padrão standard, que juntos representam mais de 70% da oferta total do mercado.
Além disso, no primeiro trimestre de 2026, o segmento do Minha Casa Minha Vida (MCMV) alcançou Índice de Velocidade de Venda (IVV) de 24,2%, superando os imóveis de médio padrão (13,5%) e de luxo (10%).
Francisco Ramos, diretor executivo da Constel, avalia que os dados deixam o setor mais confiante. “Melhoramos as nossas perspectivas, muito embora devamos ficar atentos ao desenrolar dos fatores que possam impactar o mercado, [como]: fim da escala 6×1, reforma tributária, variação do dólar e comportamento da evolução da taxa Selic”, pondera.
Já Wescley Magalhães, gerente da MDNE no RN, avalia que o cenário valida uma percepção acerca da demanda reprimida da região. Para ele, o destaque do estudo é a performance do MCMV, com o maior índice de velocidade de vendas (24,2%). “Essa forte demanda consolida a vocação de trazer para a capital potiguar a Ún1ca, nossa marca focada no novo momento do faixa 3 do MCMV”, diz.
Renata Melo, gestora comercial da MRV no RN, diz que os dados confirmam que o mercado ganhou confiança. Em 2026, a empresa concluiu os empreendimentos Barra Nova, na ZN de Natal, que vendeu 100% das unidades; e o Torres do Seridó, em Nova Parnamirim. Nesta quinta (11), a MRV lança o Residencial Potengi, que é uma continuação do Barra Nova.
“O Minha Casa, Minha Vida atende a uma demanda real, estrutural e crescente no RN. E a MRV, com anos de atuação nesse segmento, colhe os resultados desse posicionamento”, afirma Melo.
Fonte: Tribuna do Norte










