O significado de morar bem passa por uma transformação com a expansão de um conceito que reúne, para além de uma boa localização, bem-estar, saúde e espírito de comunidade. É o wellness real estate, que ganha cada vez mais espaço no Brasil e no mundo, em um movimento que redefine o mercado imobiliário. Esse segmento saltou de US$ 151 bilhões em 2017 para US$ 876 bilhões em 2025, segundo o Global Wellness Institute. Até 2030, o mercado deverá atingir US$ 1,8 trilhão. As academias ajudam a compor esse cenário, seja agregando valor à localização dos imóveis que incorporam o conceito, seja adotando o próprio conceito em suas atividades.
No Rio Grande do Norte, o movimento está presente, com características distintas, em empreendimentos como o Reserva Bonfim, em Nísia Floresta; o Jardins do Potengi, em Natal; e o Residencial Galeria, também na capital. Com o wellness, empreendimentos de alto padrão passam a incorporar soluções voltadas à saúde física, mental e emocional dos moradores, por meio de projetos arquitetônicos que valorizam espaços de relaxamento, áreas de meditação e iluminação voltada à qualidade do sono, entre outros aspectos.
Sérgio Azevedo, presidente da Dois A Engenharia, explica que essa transformação reflete uma mudança de comportamento consolidada após a pandemia. “A casa passou a concentrar trabalho, lazer, cuidado com a saúde e convívio familiar, e as pessoas ficaram mais exigentes quanto à qualidade desses espaços”, afirma.
Ele diz que a Dois A vê o wellness real estate como uma evolução natural da ideia de que o imóvel precisa melhorar a vida de quem mora nele e que isso muda a forma de entender o significado de morar bem. “Metragem, acabamento e valorização continuam importantes, mas o comprador hoje também quer saber como aquele lugar vai afetar sua saúde, seu descanso, sua convivência e sua rotina. Ele entra na concepção do empreendimento desde o início, e não como item de marketing ou diferencial acrescentado no fim”, diz.
Na prática, segundo o presidente da Dois A, a empresa aplica o conceito de três formas: no projeto e no conforto ambiental, com prioridade para a iluminação e a ventilação naturais, visando ao conforto térmico e acústico; na criação de espaços verdes e áreas para atividade física, caminhadas e encontros entre moradores; e na avaliação do acesso a serviços, da mobilidade e da relação do empreendimento com o bairro, considerando o entorno e a localização.
É o que se observa no Reserva Bonfim e, de forma mais abrangente, no Dois A Reserva Pipa, em Tibau do Sul. “O Reserva Bonfim foi concebido como um residencial resort junto à Lagoa do Bonfim, reunindo natureza, esporte, lazer, convivência e segurança. A receptividade foi muito positiva desde o início, com aproximadamente metade das unidades comercializada antes mesmo do lançamento oficial”, descreve Gustavo Pinheiro, diretor de Incorporações da empresa.
No Jardins do Potengi, no bairro de Petrópolis, em Natal, o bem-estar aparece na integração entre moradia, serviços, arquitetura, paisagismo e uma estrutura completa de lazer, com espaços destinados à atividade física, ao descanso e à convivência. “O projeto também se relaciona com a cidade por meio de seu uso misto. Essa proposta teve rápida aceitação: poucos meses depois do lançamento, cerca de 60% das unidades residenciais já estavam vendidas, assim como todas as unidades comerciais”, explica o diretor.
Novo estilo de projetos traz a natureza como protagonista
No Dois A Reserva Pipa, a evolução do conceito wellness se traduz ao colocar a natureza como protagonista. Gustavo Pinheiro explica que o projeto reúne preservação ambiental, paisagismo com espécies nativas, arquitetura integrada à paisagem, espaços para a prática de esportes, spa, sauna, academia, piscina com raia e ambientes voltados à convivência e à contemplação.
“A presença de clientes que já haviam adquirido outros empreendimentos da Dois A entre os compradores demonstra que essa proposta vem sendo compreendida e valorizada pelo mercado. Essa confiança confirma que existe uma demanda crescente por imóveis capazes de unir patrimônio, experiência e qualidade de vida”, diz.
No contexto do wellness, compreende-se que o consumidor quer saber quanto tempo a localização lhe devolve, quais hábitos a arquitetura favorece e que experiências o empreendimento proporcionará à sua família. E esses princípios valem para todos os segmentos, inclusive, o de habitação social. “Um projeto bem pensado, com boa ventilação, luz natural e espaços de convivência, melhora a qualidade de vida independentemente da faixa de renda”, acrescenta Sérgio Azevedo.
Na Macam Engenharia, as transformações são incorporadas desde a etapa de desenvolvimento dos projetos. “Temos buscado traduzir esse conceito de formas diferentes, de acordo com a vocação de cada produto. No residencial, isso aparece na criação de ambientes que estimulam o movimento, a convivência, o descanso e a conexão com a natureza”, explica Moacir Pinheiro, um dos diretores da empresa.
Também à frente da direção da Macam, Claudio Campos reforça que o Residencial Galeria e o Bio Petrópolis, empreendimentos residenciais da empresa, privilegiaram ambientes de convivência, como wine bar, inovação que a marca introduziu no mercado imobiliário potiguar. O primeiro, conforme o diretor, é o maior expoente do wellness residencial da marca.
São mais de 2.700 m² dedicados ao lazer, à convivência e ao bem-estar, com uma estrutura pensada para que diferentes dimensões da qualidade de vida façam parte da rotina do morador. “A proposta é transformar as áreas comuns em verdadeiros espaços de cuidado, convivência e conexão”, diz.
Já o Bio Petrópolis leva essa discussão para o ambiente profissional. “Representa nosso primeiro empreendimento de alto padrão concebido integralmente sob uma perspectiva de wellness corporativo”, destaca Claudio Campos. Segundo ele, esse projeto utiliza princípios do design biofílico, que aproximam arquitetura e natureza e valorizam elementos como iluminação natural e conforto ambiental, com o objetivo de criar espaços de trabalho mais agradáveis e contribuir para a redução do estresse associado à rotina profissional.
Academias investem em áreas valorizadas
Outro mercado integrado ao wellness é o das academias que, além da característica voltada à musculação, à estética e à performance física, com esse conceito passam a se transformar em ambientes de saúde, bem-estar e qualidade de vida integral. A localização em importantes áreas comerciais e residenciais é um aspecto crucial, especialmente considerando o espírito de comunidade que se busca promover.
A academia Pulse, em Lagoa Nova, na zona Sul de Nata, retrata bem isso. “Estamos perto de tudo, em uma área muito central na cidade, tanto que 70% dos nossos alunos moram a até três quilômetros daqui. Outros 28% trabalham em condomínios comerciais das proximidades e vêm à academia no horário do almoço”, conta Horácio Oliveira, fundador e CEO da Pulse.
Também em Lagoa Nova, a HiLIFE vê a localização como ponto crucial. Ao mesmo tempo, a presença das academias colabora para o ambiente de bem-estar que os empreendimentos buscam proporcionar. “Estamos na avenida Amintas Barros, em meio aos bairros mais nobres”, afirma Danilo Bila, CEO da HiLIFE, que está há um ano no mercado e já nasceu sob o conceito de wellness. “Nossos membros são conectados via aplicativo para uma bioimpedância completa. Temos, ainda, uma clínica de estética e acesso a amenities (pequenos itens de cortesia)”, descreve Danilo Bila.
Na Pulse, além da estrutura para atividades físicas — sala de bike, cross training e treino híbrido, sala de ginástica funcional, área de exercícios ergométricos e espaços de musculação —, a academia conta com espaço para café, jardim, área para exercícios ao ar livre, espaço kids, salão de beleza e mercadinho de produtos naturais. Alguns ambientes têm luz natural. Um átrio central interliga os espaços e, na área de conveniência, foi plantada uma jabuticabeira para integrar a natureza à academia.
No próximo mês, será inaugurado a área de pilates. Outro ponto é a conexão entre as famílias. Para isso, a Pulse oferece um programa com melhores condições de preço para quem levar parentes. O CEO diz que os clientes t~em aprovado a implementação do novo conceito. “Temos uma das maiores taxas de renovação de matrículas do Brasil, em torno de 65% — a média é de 30%. Isso mostra que essas mudanças estão em acordo com o que o cliente quer”, afirma Horácio Oliveira.
Fonte: Tribuna do Norte









