O Rio Grande do Norte registrou em julho de 2026 um saldo positivo de 999 vagas formais de trabalho. Embora represente uma recuperação em relação ao mês anterior, o resultado é o menor registrado para um mês de julho no estado desde a pandemia. O número foi gerado a partir de 21.759 admissões e 20.760 desligamentos.
Os dados são do Caged e foram analisados pelo Boletim de Emprego do Sebrae na última sexta (29). O desempenho de julho de 2026 manteve o RN na penúltima posição do Nordeste em geração de postos no mês, ficando à frente apenas do Maranhão (654). Em junho deste ano, o saldo potiguar foi de +332 vagas.
Em julho de 2020, o estado havia alcançado um saldo de +612 empregos formais; em 2021, +3.904; em 2022, +2.761; em 2023, +3.459; em 2024, +6.014; e em 2025, +3.446.
Com isso, o resultado de 2026 equivale a menos de 30% do apurado no mesmo período do ano passado. No cenário regional, o estado com maior geração de empregos no mês foi a Bahia (+4.664), seguida pelo Ceará (+4.181) e pela Paraíba (+2.307).
“Apesar do saldo positivo, com a geração de quase mil postos de trabalho, o resultado [do RN em julho] ficou abaixo do desempenho histórico, tanto na comparação mensal quanto no acumulado”, explica Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN.
A agropecuária liderou a geração de empregos no RN em julho, com saldo positivo de 1.291 postos, alavancada principalmente pelo início da safra do cultivo de melão (+1.020). A indústria vem em seguida, com +383 vagas, com destaque para a fabricação de açúcar em bruto, com +451, e o comércio, com +204. O salário médio real no RN foi R$ 1.903,41 no mês.
Por outro lado, o setor de serviços registrou o pior desempenho do mês, com saldo de -608 postos, impactado pela perda de vagas em serviços combinados para apoio a edifícios (-696). A construção civil também fechou o mês no vermelho, com saldo de -271 empregos formais.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o RN soma +1.822 vagas de trabalho. O setor de serviços lidera o saldo do ano com +4.052 postos criados, seguido pela construção (+918) e pelo comércio (+821). Já a agropecuária (-3.222) e a indústria (-741) acumulam os piores resultados no ano, puxadas pelas perdas no cultivo de melão (-1.870) e na fabricação de álcool (-1.176), respectivamente.
O Brasil registrou a abertura de 58.568 postos de trabalho com carteira assinada em julho. Em nível nacional, a criação de empregos caiu 56,3% em comparação a julho do ano passado. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 133.932 postos de trabalho.
Microempresas sustentam o mercado
Na análise por porte de empresa, os pequenos negócios seguem como o pilar da economia potiguar. No acumulado do ano, as microempresas criaram +7.814 postos formais, sendo o segmento com maior saldo positivo. Considerando apenas julho, as microempresas geraram 891 vagas, seguidas pelas pequenas empresas (+163) e médias (+463).
Já as grandes empresas apresentaram o pior desempenho do mês, com saldo de -518 postos. No acumulado de 2026, grandes (-3.598), médias (-2.113) e pequenas (-281) empresas registram perdas de postos de trabalho no estado. Os dados integram o Boletim do Emprego, elaborado pelo Sebrae-RN com base nas informações do Novo Caged.
“Na análise por porte, as microempresas lideraram a geração de postos, seguidas pelas médias e pequenas empresas. As grandes empresas foram as únicas a apresentar saldo negativo”, diz Alinne Dantas, que coordenou o estudo.
A nutricionista Andrezza Nunes, 24 anos, foi recém-contratada, após um período de trabalho autônomo. Ela trabalha como auxiliar de nutrição de um supermercado em Natal. “Com a conquista do emprego formal, adquiri uma nova rotina, já que trabalho em período integral de segunda a sexta-feira”, conta.
“Hoje, desenvolvo atividades voltadas para a garantia da qualidade e segurança dos alimentos comercializados. Dentro da minha rotina, as atribuições envolvem o trabalho operacional e administrativo, com tarefas fixas diárias e outras que vão surgindo conforme demanda”, explica.
Panorama municipal
No recorte por municípios, Goianinha registrou o maior saldo positivo em julho deste ano (+493), motivado pela indústria sucroalcooleira (+452 na fabricação de açúcar em bruto). Apodi (+191), Açu (+126), Macaíba (+124) e Baraúna (+104) também figuraram entre os maiores geradores de postos.
Em contrapartida, Mossoró registrou a maior retração do estado em julho, com saldo de -486 postos formais. Outros destaques negativos do mês foram Parnamirim (-102), São Bento do Norte (-94), Caicó (-81) e São Paulo do Potengi (-71).
Histórico
Saldo do mês de julho desde 2020 no RN
2020: +612
2021: +3.904
2022: +2.761
2023: +3.459
2024: +6.014
2025: +3.446
2026: +999
Fonte: Tribuna do Norte









