A Comissão Especial de Inquérito criada pela Câmara Municipal de Natal para investigar o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ainda não começou seus trabalhos para valer, mas já nasce com um desafio: manter uma linha correta de atuação. Isso significa não virar instrumento para uma guerra entre as alas ideológicas da Casa.
Embora criada por iniciativa do vereador de extrema-direita Matheus Faustino (União Brasil), portanto, adversário das representações de esquerda que apoiam o MLB, a CEI contou com 20 das 29 assinaturas possíveis na Câmara Municipal.
Uma maioria que dá muita representatividade à comissão, e também pluralidade.
Representando a ala da direita na Casa, a CEI tem como membros titulares o próprio Faustino, já indicado relator, e os vereadores Subtenente Eliabe (presidente), Camila Araújo (vice-presidente) e Cláudio Custódio. Mas tem também o vereador Daniel Valença, do PT, partido aliado do movimento que será investigado.
Se por um lado essa composição confere um mínimo equilíbrio ideológico à CEI, por outro abre margem para fortes embates durante os trabalhos.
No fim das contas, a responsabilidade será de toda a Câmara Municipal. Dos 29 vereadores e não apenas dos integrantes da CEI.
Sendo assim, esse senso de responsabilidade compartilhada recomenda uma atuação correta e produtiva da CEI, para que se evite radicalismos. Tanto de quem é de direita, quanto de esquerda.
A CEI deve seguir os seus propósitos originais (ou seja, investigar fatos de interesse coletivo) e não virar palanque para ações politiqueiras.
Evitando esse tipo de armadilha e cumprindo seus propósitos originais, a CEI do MLB pode fazer um bom trabalho e propor à cidade boas soluções sobre as questões que vai apurar.
Que assim seja.