A Câmara dos Deputados aprovou na calada da noite, semana passada e sem que a matéria estivesse em pauta, a criação da Companhia Docas de Alagoas. A medida teve o patrocínio do todo-poderoso presidente da Casa, Arthur Lira (PP/AL), e enfraquece duplamente o RN, tanto no campo político quanto no institucional.
A administração do porto de Maceió cabia à Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). Agora, com a fundação da nova estatal alagoana, a Codern perde essa atribuição. Não apenas. Perde junto poder político e, principalmente, recursos.
Fica, portanto, mais esvaziada, com poderes restritos ao Estado, permanecendo com autoridade sobre o Porto de Natal e do Porto-Ilha de Areia Branca.
Esta é uma senhora derrota política para o RN. Estranhamente, até o momento, não se tem notícia de nenhum político potiguar reagindo ao esvaziamento da Codern. A começar da nossa bancada federal, não se viu sequer uma palavra criticando a medida. Nada.
Pelo visto, nenhuma das nossas lideranças políticas teve peito para encarar Arthur Lira — que, aliás, está saindo de cena e, em fevereiro que vem, passa o bastão muito provavelmente para o deputado paraibano Hugo Motta (Republicanos) comandar a Câmara.
Então, ficamos assim: o RN contabiliza mais essa derrota política para um Estado vizinho.
Uma série de prejuízos acumulados ao longo da história que incluem a anexação de Fernando de Noronha a Pernambuco (estabelecida pela Constituição de 1988) e a definição de investimentos para a construção de refinarias e também de portos novamente em favor de outros Estados nordestinos.
A perda de espaço e de investimentos da Codern para a recém-criada companhia alagoana é o mais novo revés dessa lista.