A principal contribuição negativa no mês veio do setor de serviços, especialmente do grupo de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas.
O Rio Grande do Norte criou 879 postos de trabalho em setembro de 2026, resultado de 19.622 admissões e 18.743 demissões, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado é o pior desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.
No mesmo mês daquele ano, o estado havia gerado 4.269 postos, apesar dos efeitos da pandemia da covid-19. Já em setembro de 2025, o RN criou 3.222 vagas formais. Em setembro de 2026, o resultado foi inferior ao do mês anterior (4.851 vagas), o que aponta para uma desaceleração da geração de empregos no RN.
Em setembro deste ano, os setores da agropecuária (739 postos), indústria (133), construção (80) e comércio (346) criaram empregos formais no RN. Apenas o setor de serviços teve retração, com -419 postos de trabalho. No acumulado do ano, porém, o estado registra um saldo positivo de 7.430 empregos.
A principal contribuição negativa no mês veio do setor de serviços, especialmente do grupo de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-929). Outros segmentos registraram saldo positivo, como alimentação (153), educação (146), transportes (66) e saúde (37).
O economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN, afirma que, “embora o saldo de empregos com carteira assinada reflita ciclos sazonais favoráveis em atividades específicas, a trajetória recente indica perda de fôlego no ritmo de expansão do emprego formal no estado”.
Para ele, a análise dos dados deve ser feita de forma ponderada, considerando a capacidade pontual de absorção de mão de obra e a qualidade estrutural dos postos criados. Nesse sentido, o economista avalia que o mercado de trabalho potiguar enfrenta vulnerabilidade, com alta dependência de ocupações informais e de setores de menor valor agregado.
Sobre o resultado de setembro de 2026 ter sido o pior desde 2020, o economista lista três fatores para a “desaceleração ou desacoplamento do crescimento formal”: baixa intensidade de contratação no setor produtivo tradicional, dependência do setor público, bem como custo de capital e ambiente de negócios.
Na visão da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec-RN), os dados também evidenciam uma desaceleração no mercado de trabalho nacional.
“Essa convergência é um elemento de contexto, mas os números do mês, isoladamente, não permitem atribuir a queda estadual a uma causa única”, esclarece a pasta.
A pasta afirma manter, junto ao Governo do Estado, iniciativas voltadas à atração de investimentos, ao fortalecimento das cadeias produtivas e à melhoria do ambiente de negócios, visando ampliar oportunidades de trabalho e renda.
Em nível nacional, o Brasil gerou 121,3 mil postos de trabalho formais em setembro deste ano, um recuo de 43% em comparação com o mesmo mês do ano passado. No mês, houve 2,214 milhões de contratações e 2,093 milhões de demissões. O resultado foi o pior registrado em setembro desde o início do Novo Caged, em 2020.
Agenda de desenvolvimento
Arthur Néo afirma que, para superar a volatilidade e gerar empregos formais de maior valor agregado e melhores salários, é preciso desenvolver uma agenda de desenvolvimento focada em quatro pilares.
São eles: reindustrialização sustentável e transição energética, adensamento de cadeias produtivas e interiores, qualificação profissional, e segurança jurídica e melhoria do ambiente de negócios.
Pedro Albuquerque, assessor técnico do Observatório da Indústria Mais RN, diz que o setor da indústria potiguar – indústria geral e construção – manteve o saldo positivo em setembro, com a criação de 213 vagas formais. “Na comparação com setembro de 2025, quando o setor gerou 743 vagas, o saldo é menor, o que reflete a desaceleração do mercado de trabalho formal observada em todo o país”, explica.
Para Albuquerque, apesar disso, “os dados mostram uma indústria que preserva seus quadros, com demissões em queda, e que tem espaço para voltar a ampliar as contratações”. O fortalecimento do emprego no setor, na visão do especialista, passa pela ampliação do acesso a crédito em condições adequadas e pelo estímulo à construção civil.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio-RN) lembra que o setor de comércio registrou seu quinto mês consecutivo de saldo positivo. O resultado em setembro foi sustentado pelas atividades de comércio varejista (+235).
Por outro lado, o setor de serviços recuou, especialmente nas atividades de monitoramento de serviços de segurança eletrônica (-600) e facilities (-265). “Esse resultado negativo em setembro foi pontual. No acumulado do ano, o setor de serviços abriu 4.492 vagas no estado, liderando assim a geração de empregos”, analisa a Fecomércio.
O setor de comércio vem logo em seguida, gerando 1.426 empregos. Juntos, os setores somam quase 6 mil vagas no acumulado do ano.
Números do Caged no RN
Geração de vagas formais em setembro
2020: +4.269
2021: +6.366
2022: +4.226
2023: +4.329
2024: +5.086
2025: +3.222
2026: +879
Fonte: MTE
FONTE: Tribuna do Norte










