O acumulado do saldo de empregos no Rio Grande do Norte em 2026 (entre janeiro e junho) ficou em 215 novas vagas, de acordo com os dados do Novo Caged. Os destaques do recorte foram os setores de Serviços (que lideram o saldo positivo), Comércio e Construção Civil. Na avaliação da Fecomércio-RN, o desempenho positivo de Serviços e Comércio está associado, principalmente, à dinâmica de atividades ligadas ao consumo das famílias e à prestação de serviços essenciais. Considerando apenas maio, o saldo total do estado foi de 109 postos – embora positivo, foi o pior desde 2020.
Em nota, a Fecomércio-RN apontou que se sobressaíram os segmentos de saúde, supermercados, comércio de veículos e peças, educação, logística e farmácias, que apresentaram expansão das contratações no período. “Esses resultados indicam que setores diretamente ligados ao cotidiano da população e à circulação de bens e serviços continuam demonstrando resiliência e capacidade de geração de oportunidades”, explicou a Fecomércio.
Segundo o Caged, no acumulado de 2026, os Serviços no RN tiveram saldo positivo de 5.087 novos postos formais de trabalho. A Construção Civil teve saldo de 1.560. Já o Comércio registrou saldo de 303 novas vagas. Levando em conta apenas o mês de maio, no entanto, a Construção registrou queda no saldo de empregos (-299 vagas).
Serviços e Comércio apresentaram, no quinto mês do ano, saldo positivo de 400 e 146 postos formais no estado, respectivamente. A Fecomércio-RN avalia que o resultado de maio demonstra um mercado de trabalho ainda marcado por forte heterogeneidade entre os setores.
“Embora o saldo estadual tenha permanecido positivo, com a abertura de 109 vagas formais, o desempenho ficou abaixo do observado no mesmo período do ano passado e reflete, sobretudo, as dificuldades enfrentadas pela agropecuária e pela construção civil”, destacou a Federação.
“Por outro lado, Comércio e Serviços voltaram a exercer um papel decisivo para a manutenção do emprego no estado. Juntos, esses segmentos responderam, no mês passado, por mais de 550 novas vagas, mostrando a capacidade do setor terciário de sustentar a atividade econômica”, complementou a Fecomércio.
O Sindicato da Construção Civil do RN (Sinduscon-RN), analisa que os números de maio referentes ao setor sinalizam para uma desaceleração na geração de empregos formais. Segundo Ismália Carvalho, diretora-executiva, o saldo negativo no mês estaria relacionado, principalmente, à conclusão de algumas obras e ao menor ritmo de lançamento de empreendimentos.
Na avaliação dela, o setor também é impactado pelo elevado custo dos insumos, pelas dificuldades de acesso a crédito e pelas altas taxas de juros. “O Brasil convive com juros elevados, crédito restrito, elevado custo de capital e um ambiente econômico que reduz a confiança para novos investimentos. E o RN precisa continuar avançando na melhoria do ambiente de negócios, com mais previsibilidade, segurança jurídica, agilidade no licenciamento e condições competitivas”, avalia.
Ismália ainda atribui o cenário à forte interrupção dos investimentos em novos parques eólicos e solares no estado, que é consequência do curtailment enfrentado pelo setor elétrico. “Como a construção civil participa diretamente da implantação desses empreendimentos, a paralisação de investimentos tem reflexos imediatos sobre o nível de atividade e emprego”, comenta Ismália Carvalho.
Fonte: Tribuna do Norte
