O mercado formal de trabalho do Rio Grande do Norte praticamente estagnou no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o estado manteve um saldo positivo, mas gerou apenas 716 vagas com carteira assinada, resultado de 122.902 admissões e 122.186 desligamentos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O desempenho representa uma queda de 89,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo havia sido de 6.744 empregos, e coloca o estado com o segundo pior resultado do Nordeste e do país, à frente apenas de Alagoas (-8.215).
O resultado evidencia uma desaceleração consistente ao longo dos seis primeiros meses do ano. Depois de abrir 1.357 vagas em janeiro, o estado registrou saldo negativo em fevereiro (-2.095), voltou a crescer em março (1.254), mas perdeu fôlego em abril (-313). Maio registrou um resultado positivo (226), assim como em junho, quando criou 287 postos de trabalho, resultado de 19.584 admissões e 19.297 desligamentos.
Na comparação com junho do ano passado, o enfraquecimento também é expressivo. Naquele momento, o estado havia criado 1.472 vagas formais, o que resulta numa retração de 80,5% no saldo mensal.
Quando se observa o comportamento dos setores econômicos no mês, percebe-se que a perda de dinamismo é explicada pelo desempenho de três setores. O de serviços, que tradicionalmente lidera a geração de empregos no estado, fechou 587 vagas em junho, revertendo o saldo positivo de 77 postos registrado no mesmo mês de 2025. A construção civil também voltou a apresentar retração, encerrando o mês com saldo negativo de 425 empregos, pior que o resultado de junho do ano passado, quando havia perdido 287 vagas. E a indústria praticamente ficou estável, com saldo negativo de duas vagas, porém, em junho do ano passado fechou com um saldo de quase 300.
O comércio manteve comportamento relativamente estável e foi um dos poucos setores a permanecer no campo positivo, com abertura de 250 vagas em junho, enquanto a agropecuária respondeu pelo melhor desempenho do mês, criando 1.051 empregos impulsionados pelas atividades sazonais, da mesma forma que o mesmo período de 2025.
No acumulado do primeiro semestre, o comportamento dos setores revela uma mudança importante em relação ao ano anterior. Os serviços ainda lideram a geração de empregos, com 4.386 vagas, resultado superior ao primeiro trimestre de 2025, quando ficou com 3.853.
A construção civil desacelerou, acumulando saldo de 1.189 vagas, pouco mais da metade do mesmo período do ano passado (2.344). O comércio cresceu menos, passando de um saldo de 1.023 para 477. Já a indústria recuou no semestre, com -1.108 vagas, enquanto havia fechado com saldo positivo (2.059) no ano passado. A agropecuária também encerrou o semestre com saldo negativo (-4.543), reflexo do encerramento das atividades sazonais do início do ano. De janeiro a junho de 2025 havia fechado com -3.005 vagas.
País tem saldo positivo, mas também desacelera
O mercado formal de trabalho brasileiro permaneceu no campo positivo em junho, com saldo de 145.161 empregos com carteira assinada. No entanto, assim como ocorreu no RN, o ritmo de geração de vagas no semestre desacelerou em relação ao ano passado.
No acumulado de janeiro a junho, o país criou 921.645 empregos formais. O volume representa queda de aproximadamente 25% em comparação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido abertas 1.229.107 vagas.
O setor de serviços foi o principal responsável pela expansão do emprego formal no país nos primeiros seis meses, com saldo de 571.926 vagas. Em seguida aparecem construção civil (168.962), indústria (143.442) e agropecuária (40.853). O comércio foi o único grande setor a encerrar o período com saldo negativo, de 3.514 postos de trabalho.
No ranking nacional, São Paulo lidera a geração de empregos no primeiro semestre, com saldo de 252,6 mil vagas, seguido por Minas Gerais (109 mil), Paraná (69,6 mil) e Santa Catarina (63,2 mil). No Nordeste, os melhores desempenhos foram registrados na Bahia (55,6 mil) e no Ceará (24,5 mil).
Empregos no RN de janeiro a junho
716 vagas
Saldo do 1º semestre de 2026
6.744 vagas
Saldo do 1º semestre de 2025
287 vagas
Saldo em junho de 2026
1.472 vagas
Saldo em junho de 2025
Saldo por setor no RN
(jan-jun/2026)
- Serviços: 4.386
- Construção: 1.189
- Comércio: 477
- Indústria: -1.108
- Agropecuária: -4.543
Fonte: Tribuna do Norte
