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“Nada leva a crer que haverá mudança nos projetos do Minha Casa, Minha Vida”, afirma presidente do FNNIC

by Ilo Aranha
novembro 3, 2026
in Em Foco
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“Nada leva a crer que haverá mudança nos projetos do Minha Casa, Minha Vida”, afirma presidente do FNNIC

O presidente do Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção Civil (FNNIC), Marcos Antônio Costa Buarque de Holanda, defendeu maior integração entre o poder público e a iniciativa privada para impulsionar o setor e ampliar o acesso à moradia. O dirigente também apontou entraves na execução de obras públicas, como projetos inadequados às realidades municipais, falta de recursos e dificuldades no cumprimento de contratos.

Nesta entrevista concedida à Tribuna do Norte, Marcos Holanda avaliou o cenário da construção civil no país, as condições de financiamento, a pressão dos custos e as perspectivas para o mercado imobiliário. Ele também falou sobre a importância do programa Minha Casa, Minha Vida e demonstrou segurança e otimismo quanto a continuidade dos projetos nos próximos anos, alegando que não há, no momento, problemas de repasses dos recursos do programa para as empresas. O presidente do FNNIC falou ainda sobre as expectativas para o 11º Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção, que será realizado de 9 a 11 de dezembro, em Natal.

O evento será realizado em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RN) e deverá contar ainda com a participação de entidades como Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). A proposta é colocar em discussão projetos e estratégias para o desenvolvimento da capital e do RN. Além da pauta institucional, o fórum terá painéis técnicos e uma agenda específica voltada aos prefeitos potiguares.]

Quais resultados concretos o senhor espera do 11º Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção que será realizado em Natal?
O grande objetivo dos fóruns que a gente tem feito no Norte e no Nordeste é unificar o discurso entre os empresários do setor da indústria da construção e os governos estaduais e federais. Isso envolve as prefeituras, o governo do estado e o governo federal. Nós vamos fazer uma reunião em conjunto com os prefeitos de todas as cidades do Rio Grande do Norte para discutir não só os problemas das cidades deles, como também as possibilidades de ajuda, tanto da Caixa como do Ministério das Cidades e do Sebrae Nacional. A gente está esperando uma reunião com a governadora do Estado do Rio Grande do Norte para poder alinhar também uma conexão com o Estado, que isso é fundamental.

Como fazer com que os investimentos em construção resultem não apenas em mais unidades habitacionais, mas em cidades com infraestrutura, mobilidade, saneamento, serviços públicos e qualidade de vida?
Foi assinado há 13 meses, no Fórum Norte-Nordeste, com o Ministério das Cidades, um Acordo de Cooperação Técnica. O que esse acordo estrategicamente definiu como prioridade foi o saneamento, a mobilidade e o Minha Casa, Minha Vida. Foi feito um trabalho envolvendo empresários, o setor público e as entidades de classe para discutir essas necessidades e fazer com que os caminhos e as aprovações dos projetos fossem feitos de forma unificada, evitando que cada cidade tivesse um comportamento diferente na aprovação dos projetos. Isso é muito ruim, porque os projetos estruturantes não andam. No caso do Minha Casa, Minha Vida, muitas vezes demoram porque você faz um projeto aprovado em Natal, mas, quando vai para Mossoró, as aprovações são diferentes. O mesmo que é aprovado em Natal não tem aprovação em Mossoró. Então, essa unificação que estamos propondo é importante.

Como o senhor avalia o momento atual da construção civil no Brasil? O setor mantém uma trajetória de crescimento ou já há sinais de desaceleração? Quais fatores serão decisivos para o desempenho nos próximos meses?
Nós tivemos uma relação muito importante junto com o governo federal nas discussões estratégicas para o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo. O programa tinha algumas dificuldades grandes para o Norte e para o Nordeste e isso foi muito equacionado nessas discussões. Então, é fundamental sempre o privado ser escutado, ser ouvido nessas decisões e por isso que a gente está muito otimista, porque o governo, na gestão desses últimos quatro anos, foi muito promissor, principalmente com essa questão do Minha Casa, Minha Vida, que atende os mais necessitados.

Como o programa pode ampliar o acesso à moradia e, ao mesmo tempo, dar previsibilidade às empresas?
Recurso. A gente tem 15 bilhões alocados para o mercado da minha vida. Isso dá uma tranquilidade e dá uma segurança para quem está executando. Temos alguns casos de passados, não recentes, mas de passados próximos que a gente teve muita dificuldade com relação de recurso, inclusive para o próprio Minha Casa Minha Vida. Graças a Deus, isso foi reestruturado e o Minha Casa Minha Vida hoje anda sem nenhum problema de recebimento, as empresas têm recebido as suas faturas, que é o que deve ser feito. E, no final, a sociedade é beneficiada com o resultado.

Até que ponto as condições de crédito e o custo do financiamento estão limitando os investimentos das construtoras e a capacidade de compra das famílias? O que precisaria mudar para destravar o mercado?
A gente já tem a certeza que R$ 15 bilhões já estão alocados em recursos e garantidos para os empreendimentos que estão em execução. Tudo leva a crer que as novas unidades, os novos empreendimentos que estão sendo desenvolvidos pelos empresários vão ser agraciados, porque nada leva a crer que haja nenhuma mudança nesse conceito dos projetos do Minha Casa, Minha Vida. O Brasil é um país que necessita de construções seguras e oportunidades para que você possa ter um desenvolvimento das pessoas, desenvolvimento social. É por isso que o Acordo de Cooperação Técnica tem uma influência estratégica muito importante, porque cada dia mais as cidades precisam ser repensadas de forma integrada, envolvendo a sociedade nas discussões que são importantes para o desenvolvimento delas.

Em setembro de 2026, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), do IBGE, registrou variação mensal de 0,30%. Como as empresas têm absorvido a alta de materiais, mão de obra e outros custos sem comprometer a viabilidade dos projetos ou repassar todo o aumento ao consumidor?
O setor da indústria da construção em todo o país tem se preocupado muito com isso. Nós temos discutido fortemente com o Ministério das Cidades e com a Caixa Econômica Federal e temos colocado que esses ajustes necessitam acontecer para que o programa continue dentro das necessidades do país. A gente acredita que esse sentimento de ajustes nos preços e correções é fundamental porque tem muitas interferências nesses preços ao longo dos meses e dos anos. Então, é importante que haja uma correção no caminho dos novos empreendimentos que estão sendo executados.

Quais segmentos apresentam maior potencial de expansão? Quais são os principais desafios para transformar os investimentos em obras efetivas?
Quando você dinamiza o programa Minha Casa Minha Vida, você está também dotando a cidade de outras variações no setor. Quando você tem um otimismo em uma determinada área, a outra com certeza terá um setor vertiginoso. Então, assim, o Minha Casa Minha Vida junto com os empreendimentos de média e alta renda também tiveram uma condição estratégica importante nesse momento imobiliário que o país vive. Um dos problemas é que, muitas vezes, os projetos não são adequados à realidade dos municípios. Também é fundamental que os recursos estejam garantidos antes do início dos trabalhos para que traga segurança. Não adianta começar uma obra sem ter a segurança de que haverá dinheiro para concluí-la. Outro ponto é a questão dos contratos e dos pagamentos. Muitas vezes, as empresas enfrentam dificuldades porque não recebem dentro do prazo que estava programado. E é importante entender que o menor preço não significa necessariamente o melhor preço. O que precisa existir é um preço justo, que permita executar a obra com qualidade.

QUEM

Marcos Antônio Costa Buarque de Holanda é engenheiro civil, empresário da construção civil há mais de 37 anos e mestre pela USP. Ex-professor da Universidade Federal de Alagoas, presidiu o Sindicato da Indústria da Construção de Alagoas por dois mandatos. Atualmente, lidera FNNIC, articulando construtoras, incorporadoras, autoridades e entidades de 16 estados brasileiros em defesa de políticas públicas, habitação popular, desenvolvimento urbano sustentável e inclusão social.

Fonte: Tribuna do Norte

Tags: Construção CivilMCMVMinha CasaMinha Vida
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