As eleições deste domingo (4) produziram uma das maiores mudanças recentes na composição do Senado Federal. Das 81 cadeiras da Casa, 54 foram colocadas em disputa, e o resultado das urnas ampliou de forma expressiva a presença de partidos e candidatos identificados com a direita no Congresso Nacional a partir de 2027.
O principal resultado foi o desempenho do PL. A legenda elegeu 19 senadores neste domingo e chegará à próxima legislatura com 28 representantes, tornando-se a maior bancada do Senado. É a maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988.
O partido conseguiu eleger os dois senadores em cinco estados: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. O número de 19 eleitos pelo PL também estabelece um recorde para uma única eleição desde a redemocratização.
O PT terá nove senadores a partir de 2027, enquanto o MDB ficará com oito. A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá 11 senadores, sendo seis do União e cinco do PP. O PSD terá cinco representantes; o PSB, quatro; o Republicanos, cinco; o Novo, três; PSDB e Podemos, dois cada; e Rede Sustentabilidade e PDT, um cada.
OS 54 SENADORES ELEITOS
Acre: Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos)
Alagoas: Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB)
Amapá: Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD)
Amazonas: Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB)
Bahia: Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT)
Ceará: Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede)
Distrito Federal: Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos)
Goiás: Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União)
Maranhão: Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo)
Mato Grosso: Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL)
Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL)
Minas Gerais: Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT)
Pará: Helder Barbalho (MDB) e Chicão (União)
Paraíba: João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB)
Paraná: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo)
Pernambuco: Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT)
Piauí: Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD)
Rio de Janeiro: Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL)
Rio Grande do Norte: Styvenson Valentim (Podemos) e Samanda de Lula (PT)
Rio Grande do Sul: Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo)
Rondônia: Dr. Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL)
Roraima: Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB)
Santa Catarina: Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL)
São Paulo: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL)
Sergipe: Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB)
Tocantins: Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB).
UMA RENOVAÇÃO EXPRESSIVA
A mudança não está apenas no perfil partidário. Dos 54 senadores eleitos, 40 serão novos na Casa a partir de 2027. Apenas 14 dos 32 senadores que tentaram a reeleição conseguiram renovar o mandato. Com isso, a renovação alcança cerca de 74% das cadeiras que estavam em disputa.
O resultado coloca o Senado diante de uma nova configuração política. O PL passa a ocupar mais de um terço das cadeiras da Casa sozinho, enquanto partidos de direita e centro-direita ampliam seu espaço. Ao mesmo tempo, PT, PSB, Rede e PDT mantêm representação, mas com bancadas menores.
O desenho final ainda será influenciado pela formação dos blocos e pelas alianças que serão construídas a partir da posse dos novos senadores, marcada para 1º de fevereiro de 2027. O que as urnas já deixaram claro é que o Senado que começa a próxima legislatura será bastante diferente daquele que encerra o atual ciclo.
