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RN fecha 2025 com 1,36 milhão de ocupados, mas vê perdas em setores estratégicos

Ilo Aranha by Ilo Aranha
setembro 24, 2026
in Em Foco
0
RN fecha 2025 com 1,36 milhão de ocupados, mas vê perdas em setores estratégicos

CARTEIRA DE TRABALHO; SINE IDT; FOTOS©TATIANA FORTES/ GOV DO CEARA

Mercado de trabalho potiguar bate recorde de ocupação e registra menor taxa de desocupação da série histórica, mas avanço se concentra em serviços e setor público, enquanto indústria, construção e agropecuária perdem espaço

O Rio Grande do Norte terminou 2025 com recorde de pessoas ocupadas (1,36 milhão) e a menor taxa de desocupação da série histórica (8,1%), mas os números também revelam uma mudança no perfil do mercado de trabalho potiguar. Enquanto serviços e administração pública avançaram, setores estratégicos como indústria, construção e agropecuária perderam ocupações.

Os dados são do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a 2012, o nível de ocupação subiu para 47,8% em 2025 no RN, e o percentual de trabalhadores associados a sindicato caiu de 17,1% para 10,4%. Com taxa de desocupação de 8,1%, em termos relativos, o RN ocupou a 6ª colocação no Brasil e a 5ª na região Nordeste.

Damião Ernane, chefe da Seção de Disseminação de Informações do IBGE no RN, explica que os dados trazem um retrato estrutural do mercado de trabalho brasileiro. As informações sobre os anos de 2020 e 2021, marcados pela pandemia de covid-19, não foram divulgadas.

Entre 2012 e 2025, o grupo da administração pública, defesa, educação e saúde absorveu 120 mil novos ocupados no RN, enquanto os setores de informação, comunicação e atividades financeiras adicionaram outros 60 mil postos. Na contramão, a indústria geral perdeu 41 mil vagas, e tanto a construção civil quanto a agropecuária registraram um recuo de 27 mil postos cada.

O economista Ediran Teixeira, supervisor técnico do Dieese, explica que o crescimento do mercado de trabalho potiguar também reflete o crescimento demográfico dos últimos 13 anos, sendo que a pesquisa contabiliza as pessoas com idade acima de 14 anos.

“O crescimento natural da população afeta o próprio mercado de trabalho, que também tenderá a acompanhar esse crescimento, a depender de outros fatores sociais e econômicos”, diz Teixeira. “É preciso analisar as políticas públicas que vigoram nesse período e que atraíram investimentos para alavancar o crescimento do PIB, dentre elas a mudança da política de isenção fiscal do governo do estado”, completa.

Setores perdem postos; secretaria cita ações

Na avaliação de Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), a indústria enfrenta um cenário de perda de competitividade frente a estados vizinhos. Ele atribui o fechamento de vagas fabris a uma combinação de fatores estruturais, “como a redução da capacidade de investimento do Estado em infraestrutura e logística, a desatualização de normas estratégicas para o desenvolvimento estadual”.

Serquiz pontua que, considerando as informações sobre emprego formal divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o ano de 2026 registra “sinais de perda de dinamismo na capacidade de geração de empregos, movimento semelhante ao verificado no ano anterior”.

Para a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), a queda na ocupação agropecuária reflete uma transformação estrutural que combina mecanização, mudanças climáticas e mudanças demográficas.

“Esse movimento não deve ser atribuído a uma causa isolada, mas à combinação de mudanças produtivas, demográficas, climáticas e econômicas ocorridas ao longo de 13 anos”, diz a entidade.

A Faern pondera que a modernização exige mão de obra mais qualificada e que o desafio é atrair e manter profissionais preparados para um campo mais tecnológico. “A migração de jovens, a urbanização, o envelhecimento da população e a busca por ocupações com maior estabilidade, remuneração e acesso a serviços reduzem a disponibilidade potencial de trabalhadores para as atividades rurais.”

Além disso, o perfil do trabalhador potiguar apresenta ganhos de qualificação. A parcela de ocupados com pelo menos o ensino médio completo subiu de 42,7% para 66,3% entre 2012 e 2025, com destaque para a proporção com ensino superior, que saltou de 9,5% para 25,1%.

A Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas-RN) aponta que o governo estadual tem buscado alinhar essa força de trabalho escolarizada às novas demandas econômicas, especialmente aquelas voltadas para a transição energética e tecnologias de informação.

“Além de ampliar o acesso ao trabalho, precisamos preparar trabalhadores para as novas ocupações, aproximar qualificação das demandas das empresas e fazer as oportunidades chegarem aos diferentes territórios”, diz a pasta, que cita uma série de iniciativas voltadas à qualificação e atração de investimentos.

Segundo a secretaria, o foco das políticas públicas, como o programa Qualifica Mais RN, não é apenas recuperar vagas do passado, mas preparar profissionais para um mercado que exige maior especialização e letramento digital, além de priorizar a autonomia econômica das mulheres, cuja participação na população ocupada cresceu para 41,8%.

Outro ponto é o avanço na formalização de trabalhadores por conta própria. Com 25,7% de registro no CNPJ, o RN lidera o Nordeste nesse indicador. Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN, avalia que o microempreendedor individual (MEI) serviu como porta de entrada fundamental para essa formalização, impulsionada majoritariamente pelas mulheres.

“O avanço é bastante relevante porque mostra uma mudança estrutural no mercado de trabalho potiguar [e] também está relacionado à expansão do microempreendedor individual no estado. Entre 2020 e 2025, o número de MEIs no Rio Grande do Norte cresceu 79,9%, e atualmente eles representam cerca de metade das empresas potiguares”, diz Alinne Dantas.

O desafio, diz, é apoiar esses empreendedores após a abertura do CNPJ, focando em gestão, produtividade e acesso a mercados, visto que mais da metade dos ocupados no estado (54,7%) trabalha em micro e pequenas empresas, estruturas que exigem constante capacitação para garantir a sobrevivência e sustentabilidade.

Apesar dos indicadores positivos, o cenário desperta análises críticas sobre a qualidade do trabalho gerado. Ediran Teixeira ressalta que o aumento da ocupação e a redução do desemprego são reflexos de uma economia que dobrou sua riqueza, mas alerta para o processo de desindustrialização e para a precarização das relações laborais.

O economista aponta que a queda na taxa de sindicalização fragiliza o poder de barganha dos trabalhadores, especialmente em um mercado dominado por pequenas empresas. Teixeira critica a “pejotização” e o trabalho intermitente, que, muitas vezes, distanciam o trabalhador da proteção sindical.

BOX
Quem mais contratou (2012–2025) no RN:
Administração pública, defesa, educação e saúde: +120 mil vagas
Informação, comunicação, finanças e administração: +60 mil vagas
Outros serviços: +23 mil vagas
Transporte, armazenagem e correio: +17 mil vagas
Alojamento e alimentação: +17 mil vagas

Quem mais perdeu postos (2012–2025) no RN:
Indústria geral: -41 mil vagas
Serviços domésticos: -36 mil vagas.
Construção civil: -27 mil vagas
Agropecuária, pesca e silvicultura: -27 mil vagas
Comércio e reparação veicular: -4 mil vagas

Fonte: IBGE

Fonte: Tribuna do Norte

Tags: EconomiaEmpregabilidadeOcupação
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