O saldo positivo de empregos em janeiro no Rio Grande do Norte abre o ano em um patamar mais favorável no mercado de trabalho. Essa é a avaliação predominante de entidades representativas dos principais setores econômicos, que também defendem cautela na leitura dos próximos meses. Elas apontam que a combinação entre expectativas macroeconômicas, ritmo de investimentos e políticas de estímulo à produção será decisiva para transformar a reação inicial do mercado de trabalho em uma recuperação mais consistente ao longo de 2026.
O estado fechou o primeiro mês de 2026 com saldo positivo de 1.164 empregos formais, revertendo o cenário negativo do fim de 2025 e interrompendo uma sequência de resultados mais fracos observados desde o segundo semestre do ano passado.
A construção civil, por exemplo, encerrou janeiro com saldo de 883 empregos, o segundo melhor desempenho entre as atividades econômicas do estado, praticamente repetindo o resultado de janeiro de 2025 e se distanciando fortemente do saldo negativo de dezembro passado. O setor ficou atrás apenas do setor de serviços, que teve um saldo positivo de 1.051 empregos.
Para Francisco Ramos, vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RN), o número confirma um movimento de recomposição após o fim do ano. “O saldo de 883 empregos formais confirma a retomada observada no início do ano e demonstra a relevância do setor na geração de postos de trabalho”, avaliou. Para ele o resultado indica uma “recomposição natural após o período de encerramento de contratos no fim do ano”.
Apesar do bom desempenho, Ramos diz que a entidade acompanha os próximos meses e condiciona a manutenção do ritmo à continuidade dos investimentos e ao avanço de obras públicas e privadas no estado.
Mas o bom desempenho surpreendeu porque tradicionalmente o resultado está ligado ao comportamento sazonal do mercado de trabalho, que costuma ter menor vigor em janeiro.
“Historicamente, os dados do Caged indicam que os meses de dezembro e janeiro apresentam menor geração de emprego formal, ou mesmo saldo negativo de vagas”, destacou o Observatório da Indústria Mais RN, da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), ao apontar fatores como encerramento do ano fiscal, ajustes nos quadros de pessoal, férias coletivas e redução temporária da produção industrial.
A indústria criou 243 empregos, o terceiro maior entre os cinco setores econômicos. Segundo a FIERN, trata-se do maior resultado para o mês desde 2020. “É uma surpresa positiva o dado referente a janeiro de 2026”, avaliou o Observatório, que atribui o desempenho principalmente à indústria de transformação, que gerou um saldo de 193 novos postos, puxado sobretudo por confecção de artigos de vestuário e acessórios (+124) e fabricação de estruturas metálicas e obras de caldeiraria pesada (+117).
A leitura positiva também se reflete nos indicadores de confiança. “O otimismo no setor industrial para janeiro de 2026 se traduz numa melhora do Indicador de Confiança do Empresário Industrial”, informou a Fiern, ao destacar a elevação do índice de 53,9 para 55,1 pontos.
A entidade associa essa melhora às expectativas macroeconômicas, especialmente à revisão de projeções do mercado para a taxa Selic, inflação e crescimento do PIB, fatores considerados decisivos para destravar investimentos.
Já na agropecuária, o saldo negativo de janeiro (–640 vagas) foi tratado como um comportamento esperado dentro da dinâmica do setor. O presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern), José Vieira, destacou que o resultado é semelhante ao registrado no mesmo mês do ano passado e não sinaliza uma mudança estrutural.
“[o número] reflete, em grande medida, um comportamento sazonal típico do setor”, afirmou José Vieira.
A federação defende a adoção de políticas que ampliem a competitividade, a produtividade e a estabilidade das cadeias agropecuárias do estado. “O Sistema Faern/Senar continua atuando na Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), na ampliação do acesso ao crédito, no fortalecimento de cadeias produtivas como fruticultura irrigada, pecuária leiteira, mel, pesca e aquicultura e no apoio a políticas de convivência com o semiárido, que contribuam para reduzir oscilações sazonais”, disse Vieira.
FONTE: Tribuna do Norte
